Cultura

Meio ambiente, diversidade cultural e educação norteiam ações do Abril Indígena

Para marcar o Abril Indígena, o Museu das Culturas Indígenas (MCI) realizará uma série de eventos gratuitos ao longo do mês. A agenda prevê encontros, compartilhamento de saberes, lançamentos musicais e literários, rituais do Xingu, oficina de cerâmica, além de ações voltadas para educadores e famílias. As atividades reforçam a importância da valorização das tradições indígenas e a luta pela preservação dos biomas brasileiros. O MCI é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerida pela ACAM Portinari (Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari), em parceria com o Instituto Maracá e o Conselho Indígena Aty Mirim.

INTERCÂMBIO

Professores e educadores poderão participar de uma tarde de compartilhamento de ideias com os mestres de saberes – indígenas do programa educativo – em 05 de abril, às 14h30. Neste encontro, os participantes conhecerão objetos e elementos de diversas culturas e aprenderão mais sobre conhecimentos tradicionais, línguas, práticas, biomas e formas de viver.

A ação é parte do Programa de Formação de Professores, elaborado pelo Núcleo de Transformação e Saberes (NUTRAS), que promove oficinas e atividades para formação de educadores, voltadas à abordagem das histórias e culturas indígenas em escolas ou demais espaços. Os encontros são abertos também para a participação de educadores não formais e que trabalham com públicos diversos.

MÚSICA

Em 10 de abril, às 19h, o MCI receberá o lançamento Energia Positiva, da multiartista baiana CAYARÍ, com participação de artistas convidados. Na estreia, o público poderá conferir as mudanças e a nova roupagem de seu trabalho, em uma celebração à cultura, à música e à ancestralidade. Parceiros musicais e amigos marcarão presença especial, potencializando o poder da união dos povos para as canções e na transmissão de uma mensagem poderosa de conexão e identidade.

POVOS DO XINGU

Em parceria com o Parque da Água Branca, o MCI realizará a oficina Luta Huka-Huka, do povo Mehinako, em 12 de abril, às 10h. O ritual dos povos do Parque Indígena do Xingu (MT) ocorre no encerramento do Kuarup, cerimônia fúnebre que marca o fim do período de luto, um ano após o falecimento dos integrantes das comunidades.

Com enfeites de linha, plumas e miçangas e o corpo pintado de jenipapo e urucum, os guerreiros são convocados para o embate pelo “dono da luta”, um indígena que exerce papel de observador e dirige-se ao centro da roda, chamando os lutadores pelo nome.

DIVERSÃO

Nos dias 13 e 27 de abrilàs 10h e às 14h, os mestres de saberes receberão grupos familiares para um domingo de brincadeiras e saberes tradicionais. Jogos de arco e flecha, zarabatana e peteca integrarão a programação.

As famílias também poderão visitar as exposições Hendu Porã’rã, escutar com o corpoMymba’i, pedindo licença aos espíritos, dialogando com a Mata AtlânticaNhe’ẽry: onde os espíritos se banham e Ocupação Decoloniza – SP Terra Indígena. Os ingressos serão gratuitos para as famílias.

Igualmente aos domingos (13 e 27/04), às 10h30, o escultor e mestre de saberes, Natalício Karaí, do povo Guarani Mbya, conduzirá uma oficina sobre biomas e animais brasileiros. Serão apresentadas informações das faunas e floras da Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal, enquanto os participantes confeccionam seus próprios bichinhos em cerâmica fria.

MATA ATLÂNTICA

Representantes de povos indígenas que vivem nos territórios, membros da sociedade civil, instituições de pesquisa, organizações ambientais e culturais apresentarão o Manifesto em defesa do tombamento do bioma Mata Atlântica como patrimônio material e imaterial brasileiro, em 17 de abril, às 10h, no MCI. O documento convocará a responsabilidade coletiva para a preservação do ecossistema como recurso fundamental para o Brasil.

ARTESÃOS DA AMAZÔNIA

Para fechar a programação mensal, o MCI receberá o lançamento do livro O segredo dos artesãos da Amazônia (2025), escrito por Siriani Huni Kuin e Nikita Llerena, com ilustrações de Yaka HuniKuin, em 26 de abril, às 15h. A publicação da Editora Garagem do Imaginário e coordenação editorial de Adriana Teixeira Reis e Elvira Godinho Aranha, explora as tradições e cultura do povo Huni Kuin, a partir da visão de Sirani, personagem que vive em um cenário de desmatamento.

O livro traz conhecimentos ancestrais para a preservação da floresta e os recursos essenciais oferecidos pelo planeta, incentivando a reflexão sobre a conservação dos biomas como fator essencial para a manutenção e qualidade da vida humana.

E MAIS!

Artesãs e artesãos dos povos Bororo, Guarani, Huni Kuin, Pataxó, Fulni-ô, Guajajara, Terena, entre outros, comercializarão uma grande diversidade artefatos tradicionais na Feira de Artes Manuais Indígenas em exposição na área externa no MCI. Entre 9h e 18h, o espaço promoverá artistas a fim de incentivar, auxiliar e ampliar as oportunidades socioprodutivas e econômicas de pessoas indígenas.

Mais informações: https://museudasculturasindigenas.org.br/

Foto destaque por: Acervo MCI

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