SÃO JOSÉ DO CERRITO (SC) — Em uma oficina cercada pelas paisagens da Serra Catarinense, a madeira descartada ganha nova utilidade e se transforma em móveis artesanais com proposta de durabilidade e identidade regional. A iniciativa é da Du Bastos Marcenaria Criativa, empreendimento que nasceu da experiência de mais de duas décadas de atuação na construção civil.

Imagem: Divulgação
O responsável pelo projeto trabalhou por 23 anos como mestre de obras e começou a ter contato com o setor ainda na infância, acompanhando o pai em canteiros de obras. Segundo ele, foi nesse ambiente que aprendeu valores como disciplina, dedicação e respeito pelos materiais utilizados na construção.
A mudança de trajetória ocorreu há cerca de seis anos, durante uma obra em Florianópolis. Uma cliente, observou as sobras de madeira espalhadas pelo local e pediu que o profissional transformasse o material em móveis rústicos. Mesmo sem dispor de todas as ferramentas necessárias, ele aceitou o desafio.

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O resultado agradou à cliente e motivou o início da Du Bastos Marcenaria Criativa. Desde então, a marcenaria passou a dividir espaço com as atividades na construção civil, mas, segundo o artesão, o objetivo é dedicar-se integralmente à produção de peças exclusivas, à restauração de antigos casarões e a projetos inspirados na arquitetura típica da Serra Catarinense.
Na oficina, o reaproveitamento de materiais é um dos principais pilares do trabalho. Grande parte da matéria-prima vem de sobras de madeira, peças descartadas e materiais que perderam a utilidade original. Para o artesão, o reaproveitamento reduz o desperdício e contribui para a preservação ambiental.
Entre as madeiras mais utilizadas está a araucária, espécie símbolo da região serrana. Com ela são produzidos tampos, mesas, bancadas e outras peças que combinam rusticidade, resistência e acabamento artesanal. A proposta é criar móveis duráveis e, ao mesmo tempo, estimular a valorização das espécies nativas e do uso consciente da madeira.

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Outro diferencial de Du Bastos é a produção não seriada. Cada peça apresenta características próprias, determinadas pelos veios, marcas e formas naturais da madeira. Isso faz com que os móveis sejam únicos, sem reprodução padronizada.
O artesão afirma que a etapa mais marcante do processo ocorre quando uma madeira aparentemente sem valor começa a revelar possibilidades de criação. Cortes, lixamento, montagem e acabamento compõem uma transformação que ele considera próxima de um trabalho artístico.
A Du Bastos Marcenaria Criativa passa atualmente por um processo de ampliação. O espaço está sendo preparado para receber visitantes e integrar o roteiro turístico da Serra Catarinense. O projeto prevê a construção de um galpão maior, loja, cafeteria, área para caldo de cana, pastel frito na hora e ambientes destinados ao acolhimento de famílias e grupos interessados em conhecer o processo artesanal.
Mais do que fabricar móveis, a proposta da oficina é transformar madeira descartada em peças com valor afetivo, preservando histórias, reduzindo o desperdício e produzindo objetos pensados para atravessar gerações.
Suellen Becker